Uma semana em Roma (e o que vimos até aqui)

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Neste sábado, completo uma semana em Roma. São seis dias mais ou menos como uma moradora da cidade. Mais ou menos porque continuo a me sentir uma turista.

Todos os dias vamos a um lugar novo, como uma turista. Mas já passei a observar as coisas com o olhar de uma pessoa que vive na cidade.

Pegamos ônibus, metrô, trem, tram. Vamos ao supermercado, ao mercado. Vamos a bairros mais afastados, vemos o preço das coisas. Vemos o preço de celular, de aluguel, de produto de limpeza, de roupa, de sapato, de carro. E eu observo, observo, observo. E esse é só o começo ainda. Em uma semana, no entanto, já é possível contar algumas coisas. E isso pode valer pra você que visita a cidade também.

O que observei após uma semana em Roma

Roma é uma cidade linda. São monumentos e monumentos por todos os cantos, é como se você estivesse em uma aula de história a céu aberto (fico imaginando às vezes como seriam as aulas de história da escola se a gente tivesse esse tipo de referência andando apenas alguns poucos metros dali).

Roma tem trânsito, tem água por tudo quanto é lugar (gratuita e boa), tem gente, muita gente (mas nem um quarto do que tem em São Paulo – são cerca de 4 milhões de habitantes). Tem preconceito? Tem, sim senhor (o Fe chegou a ouvir que não era exatamente da cor dos brasileiros – oi?). Mas tem muita simpatia também, principalmente se estivermos em algum lugar mais turístico e informamos que somos brasileiros.

Para viver na cidade, a história é um pouco complicada se você é estrangeiro. Ainda que você tenha toda a documentação necessária para comprovar que você está na cidade legalmente. Mas é possível também encontrar pessoas boas no meio do caminho, que te ajudam também.

Mas vamos lá:

#1 O trânsito

O trânsito da cidade é intenso. Agora no inverno não chega a ser caótico como o que pegamos no verão (caótico tipo São Paulo em dia de chuva, quando os faróis não funcionam, os motoqueiros vêm rasgando e todo mundo quer passar pelo exato mesmo espaço. Ao mesmo tempo). No inverno, a história muda um pouco. Li em um blog de uma americana que vive na cidade há seis anos que isso acontece porque a quantidade de ônibus para turistas diminui, e isso ajuda o trânsito. Pode ser mesmo. Mas fato é que o trânsito aqui é intenso. Para atravessar a rua, deve ser na faixa e meio que fazer cara de bravo, encarar para que os carros parem para você passar. Mas eles param, no final. 

trânsito em Roma
O trânsito no lado extremo sul da cidade. Tranquilo por ser um dia de semana comum, mas, ainda assim, intenso.

#2 O estacionamento

A ideia aqui é: cada um por si, Deus por todos (quer melhor cidade para envolver Deus na história?). As pessoas param em fila dupla, no canteiro central, na vertical. O importante é estacionar. 

carros em fila dupla, estacionando carros em Roma
Repare na segunda fila de carros (todos estacionados em fila dupla). E é assim, não importa onde, até na faixa de pedestres).

#3 O ônibus

O ônibus é cheio. Em alguns pontos e horários, LOTADOS! As pessoas não validam o ticket (só o turista com o tal de Roma Pass, sobre o qual não posso falar porque nunca usei, mas ainda vejo esse assunto), que custa 35 euros o mensal e é ilimitado. Os idosos (em especial as mulheres) simplesmente enxotam as  pessoas que estão sentadas nos bancos (preferenciais ou não), e ainda existe um respeito enrustido na história de entrar e sair. E se alguém que quer entrar não deixa a pessoa que quer sair, sair primeiro, ouve bastante. Eles avisam, em um luminoso interno, o nome da próxima parada (fermata). Fomos para uma região mais afastada do centro, e o trânsito continua intenso (bem parecido com Marginal Tietê e um pouco distante da 23 de Maio – mas com potencial).

#4 O metrô

É feio e sujo. E pichado (por dentro e por fora!).

metrô de Roma, linha A do metrô de Roma
Uma das estações da linha A do metrô: muita sujeira e pichação por tudo quanto é lugar.

São três linhas principais, A (Battistini – Anagnina), B/B1 (Laurentina – Rebbibia / laurentina – Jonio) e C (Lodi – Pantano).

mapa metro Roma
O mapa do metrô de Roma (mas os que te levam pros lugares mesmo – e os que eu usei de verdade são o A e o B – mas ainda vou usar os demais e depois conto

A gente está na linha A, que é a que conecta ao Vaticano e a todos os principais pontos turísticos (Spagna, Popolo, Fontana di Trevi – e por isso mesmo vive cheia)… Na linha A tem ar condicionado, assim como na B, boa parte dos trens são novos (mas todos, sem exceção, pichados). Não sei dizer ainda como é a linha C (nunca usei). Nos horários de pico, o metrô fica bem cheio. Nos demais, dá ate pra ir sentado. 

#5 O trem 

Não é limpinho, mas dá pra ir. Tem que validar o passe ou pode passar um fiscal pedindo para ver seu bilhete. Se sua estação for próxima aos arredores da cidade, é possível que um guardinha passe. Mas se voce for descer antes, não tem problema. 

#6 O tram 

Adoro o tram. Mas estou distante dele. Bonitinho, limpinho, não pega trânsito, tem ar condicionado. Também tem que validar, mas ninguém valida (só os turistas novamente). Andei em dois números por enquanto: o 8 e o 3. Matei a saudade outro dia para ir ao Trastevere. 

#7 O supermercado

Não são muitas as “marcas”dos supermercados, mas tem em vários lugares. o Carrefour domina por aqui. Tem desde hipermercado no estilão gigante brasileiro (mas, por enquanto, só vi um em uma das ultimas estações da linha B do metrô, quase fora dos limites da cidade), tem médio (tamanho normal) e dos mini/express. O que eu mais gosto é o Simply, que tinha perto de onde estávamos, na região de Gianicolo (e tem também por aqui).  

supermercado em roma, Simply
A entrada do Simply. Pequeno, mas com umas promoções boazinhas.

Nos supermercados, sempre tem várias promoções, principalmente de produtos que estão próximos ao vencimento e eles jogam o preço à metade (isso tem todo dia no Carrefour). Frutas e verduras tem aos montes, e não são absurdamente caras (há frutas, por exemplo, entre 1 e 2 euros o kg – mas há também as que custam acima de 5 euros o kg). Chocolates Lindt são incrivelmente baratos (entre 1 e2 euros), mas o Bacci (hummmm), de Perugia achei bem caro (uns 6 euros a caixinha pequena). Carne de boi é bem carinho. Frango e porco mais acessíveis.

#8 As liquidações

Elas estão à toda em Roma. Parece que começam próximo ao Natal e continuam firme e fortes. Comprei casaco de frio a 19,90, saia a 3,90 e uma bota de couro por 19,90. Está bom, vai? Em todo lugar tem placa de Saldi

#9 Os turistas

Existem em qualquer lugar que você vá. É uma coisa incrível. Mesmo no inverno, em menor quantidade, estão aos montes nos pontos turísticos, nos meios de transporte (em especial no metrô, principalmente na linha A).

Ouve-se todos idiomas por aqui. Vê-se pessoas dos mais diferentes tipos, das mais diversas religiões, com os mais diversos estilos. Mas, o mais engraçado, é observar os parâmetros de temperatura (tem que dia em que estou ultra agasalhada e lá está o tiozinho nórdico com camiseta de manga curta, nem ligando pro tempo que faz na rua). É uma mistura maluca que funciona muito bem. Pelo menos na minha visão inicial.

turistas na piazza di spagna
Turistas mil na Piazza di Spagna

#10 A temperatura (no inverno)

Falando em temperatura, o inverno é frio. Sempre. Isso porque estamos na metade de fevereiro, mais próximos à primavera. O dia amanhece bem gelado. Até umas 15h, o sol vai aquecendo (mas você pode congelar se estiver à sombra). E depois esfria novamente. As casas são bem preparadas para o inverno e, por isso, você fica bem dentro delas. Ainda não entendi direito essa história de riscaldamento, mas chego lá.

temperatura em Roma no inverno, uma semana em Roma
Uma ideia das temperaturas que peguei por aqui (essa é a média, mas chegamos a pegar 3 graus – dentro de casa – e 5 graus na rua)

#11 Os animais de estimação (em especial os cachorros)

São vários. E a maioria de raça: lulus da pomerânia, buldogue franceses, malteses, lhasas/shihtzus, jack russiel terrier, king charles terrier dominam a região. E andam por todos os lugares, acompanhando seus donos. Em ônibus, em trem, em tram, no metrô. Vão ao mercado, entram em cafeterias. Restaurantes oferecem potinhos de água para eles. Uma graça. Petshops ainda não encontrei muitos, mas existem. A visão já é completamente diferente daquela que tinha na cabeça. Em setembro, quando viemos, procurei desesperadamente por petshops, mas encontrei apenas veterinários. Olhei no lugar errado, definitivamente. Ah! E tem muitos gatos (enormemente gordos).

#12 O shopping center

Li em vários lugares que Roma não possuía shopping center. De fato, não é uma cidade repleta deles. Longe de ser metade de São Paulo (e eu e o Fe, os maníacos por shopping, acabamos por ficar um tanto quanto decepcionados). Mas, sim, eles existem. Ainda que poucos. Roma é mais uma cidade de lojas de rua. Algumas ruas concentram uma grande quantidade de lojas, atraindo muitos turistas, como é o caso da Via del Corso (onde cheguei a ver uma espécie de shopping – não entrei, mas pareceu, pelo lado externo, com as Galerías Pacífico, na Argentina). Chegamos a encontrar um shopping, mas bem distante do centro (e bem no estilo shopping mesmo).

#13 A água

Por todos os lugares, tem água disponível, em especial no centro histórico. São varias bicas (na falta de uma palavra melhor), com água fresquinha e potável. Por isso, ande sempre com uma garrafinha (sócuidado para não tomar água demais e depois ficar morrendo de vontade de ir o banheiro – neste ponto, os banheiros das estações de metrô ajudam (mas tenha sempre moedas em mãos, elas todas cobram a entrada – entre 50 centavos e 1 euro), assim como as unidades do McDonalds.

água potável em Roma
Uma “bica” de água (uma das inúmeras) em Roma (água potável, gelada – inclusive no verão – e liberando água o tempo (até agora não entendo isso!)

 

Claro que ainda tem muito mais para ver. Aos poucos, vamos aprendendo e entendendo a cidade. E a gente conta por aqui.

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chris_samira

Produtora de conteúdo desde 2002. Adora listas, chocolate, viajar e da canina Lili, além do Fe, com quem é casada há quatro anos. É especialista em "jogar no Google" e acha que vinho é uma questão de gosto pessoal (até porque não entende nada do assunto - só de beber mesmo). Vive indecisa quanto ao que deve fazer. Mas não acha que isso seja um problema.

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Desde que eu e o Fê viemos para Roma, resolvemos transformar este blog em um espaço em que pudéssemos dividir as nossas experiências. Diariamente, vamos conhecendo a cidade, aprendendo a viver nela e também mostrando aqui para você. E assim, compartilhando o que a gente vê por aqui, queremos fazer da nossa nova casa, a sua também. Além das dicas e de tudo o que postamos aqui no blog, resolvemos também ir atrás de parceiros que podem ajudar a transformar a sua viagem em uma experiência mais tranquila. A partir de agora, o LÁ EM CASA TEM VINHO te ajuda também a organizar a sua viagem para Roma.

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2 Replies to “Uma semana em Roma (e o que vimos até aqui)”

  1. Amores! Adorei o post, ficamos 15 dias na Itália , e percebi que o trânsito é caótico no verão e também os transportes públicos são como você mencionou.
    Mas vamos aprendendo a cada dia a cada post ( isso é um post ?) e cada experiência de vocês .
    Um beijo grande e estamos sempre de olho e torcendo ! Beijos !

    1. chris_samira says: Responder

      Obrigada, Paulinha, pela visita e pelo comentário! Aqui todo dia é uma coisa nova. E a ideia é essa: compartilhar com as pessoas aquilo que a gente vai aprendendo (e aprender junto também).

      Ah! E, sim, isso é um post! rsrs

      beijos!

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