Um dia em Istambul, Turquia

Eu e o Fe temos um compromisso: viajar para fora do país uma vez por ano. Até agora temos conseguido manter.

Nossa viagem deste ano foi para a Itália, mais especificamente para Roma. Nós já tínhamos ido para lá, mas tínhamos ficado apenas seis dias (quatro, se você desconsiderar os dias de chegada e partida).

Nós amamos a cidade. Sabe aquela coisa de paixão mesmo? Do tipo: “moraria aqui fácil”. Mas como o tempo foi muito curto, tínhamos vontade de ir novamente. E foi o que fizemos este ano. Aproveitamos uma super promoção de passagem e compramos sem dó.

O único “problema” da nossa compra inesperada é que a passagem tinha uma escala bem longa em Istambul, na Turquia. Eu, que sou de família árabe, sempre tive vontade de conhecer esses países com cultura mulçumana, maior curiosidade mesmo. Por isso, meu pensamento instantâneo foi: vamos pegar a maior escala que tiver. E foi exatamente o que fizemos.

Como é viajar pela Turkish Airlines

Compramos nosso bilhete pela Turkish Airlines. Uma coisa muito legal que eu não sabia é que a Turkish oferece, para quem vai fazer uma escala mais longa, várias opções de tour guiados diferentes pela cidade. Com tudo incluso: transporte, entrada nas atrações, guia, almoço, jantar, etc. Achei isso muito legal. Sem contar o fato de que a companhia é muito boa.

A viagem foi super tranquila, fomos super bem atendidos, teve serviço de bordo o tempo todo, a comida era boa, tinha opção de vários tipos de bebida, inclusive alcóolicas (vinho branco e tinto turcos, cerveja turca, whisky…), até um espaço em que deixavam sanduíches e sucos para pegarmos a qualquer momento. Ah, e um kit com essenciais para você sobreviver às 13 horas de voo (com protetor labial, chinelo, meia com antiderrapante, aquele negócio de colocar no olho pra dormir, escova e pasta de dente…). Achei ótima mesmo. O único problema foi o sotaque na hora em que os comissários de bordo falavam em inglês. Se já era impossível compreender o que eles estavam falando em turco, que dirá em inglês com sotaque…

Nossa parada em Istambul

Ficamos, na verdade, apenas dois dias em Istambul. Um na ida, outro na volta. Chegamos na noite de sexta, na ida, e partimos para a Itália no fim da tarde do sábado. E chegamos em Istambul na manhã do sábado, na volta, partindo para o Brasil na manhã seguinte. Mais ou menos foi isso.

Quando compramos a passagem, tinha acontecido há cerca de um, dois meses, o ataque terrorista no aeroporto de Ataturk, o principal do país (e claro, onde estava prevista nossa chegada e partida). E, dias depois de termos comprado a passagem, aconteceu uma tentativa de golpe militar. Isso tudo fez com que a cidade estivesse “invadida” pelo exército. Em todos os cantos, víamos soldados com metralhadoras, a entrada no aeroporto só era permitida após passar toda a bagagem pela esteiras e detectores de metal. Mas acho que isso até me ajudou a ficar mais tranquila. Eu até que estava tranquila pra ir. Só quando via multidões que ficava meio receosa. Mas nada aconteceu.

A ida

Bom… Na ida, estávamos exaustos. Não tínhamos condições de fazer qualquer tour, então não aproveitamos nada. Só o hotel mesmo. Acabamos comendo ao redor do hotel.

Ficamos em um hotel bem próximo ao aeroporto. Foi, sinceramente, um parto chegar lá. Os taxistas não sabiam onde era e simplesmente não falavam inglês. Como a gente se entendia? Quando se entendia, era por mímica.

Chegamos ao hotel no começo da noite, umas 20h talvez. Fizemos o check-in e queríamos apenas dar uma volta e comer. Por ser uma região pouco turística, quase ninguém falava inglês e, quando dizia que falava, era muito mal. Isso não impossibilitou que comêssemos muito bem, no entanto. A comida de lá é sensacional. Comemos um kebab cada um e queríamos pedir uma cerveja local. Mas ninguém servia. E ainda nos olhavam feio quando perguntávamos sobre cerveja. Fomos, então, a um mercadinho, procurar  por água. Lá encontramos a cerveja, que foi embrulhada em papel pardo.

Quando chegamos ao hotel, o concierge nos explicou que lá é proibido vender cerveja após determinado horário, 21h ou 22h, não me lembro ao certo. E que gerava multa. Nem mesmo no hotel era vendido. Mas era possível o consumo.

Uma outra coisa muito estranha é que eu não vi mulheres na rua. Eu era a única. E por mais que estivesse coberta (estava com calça e uma blusinha de manga comprida – apesar do calor), parecia que todo mundo olhava pra mim. Como se eu não estivesse respeitando aquele lugar. Isso me deixou bem mal. Tanto é que voltei pro hotel e pedi pro Fê comprar alguma coisa pra gente beber e ficamos por lá mesmo.

kebab, Turquia, Istambul
O kebab que a gente comeu em nosso primeiro dia era de uma rede de fast food. E estava delicioso… imagina de um restaurante super super legal…

 

cerveja turca, Efes, Turquia, Istambul
A problemática cerveja. Essa é a Efes, a mais famosa de lá (mas segundo o moço da recepção do hotel, não a melhor)

A volta

Na volta, como sabíamos que a viagem estava no fim, fizemos o seguinte: despachamos nossas malas direto de Roma para o Brasil. Ficamos apenas com uma mochila cada um e, na saída do aeroporto, já fomos para o guichê da Turkish para pedir o nosso tour.

Depois do tour, que acabou por volta das 16h, mais ou menos, já que deveriam entregar os passageiros até as 17h de volta ao aeroporto, pedimos que nos deixassem em um shopping (somos paulistanos, não tem jeito). Íamos jantar em um restaurante ao lado do shopping, super bonitinho, mas 1. o wi-fi deles não funcionava de jeito nenhum; 2. ninguém falava inglês. Comemos uma coisinha só pra dar uma enganada no estômago e voltamos pro hotel. Chegamos, tomamos um banho e resolvemos sair para jantar, só que ali por perto. Fomos a um restaurante e comemos de novo um kebab, mas no prato dessa vez. Que coisa incrível. E vinha ainda muita comida.

kebab, Turquia, Istambul
Essa é a saladinha que acompanha (e não pagamos nada a mais por ela. eles simplesmente oferecem)
kebab, shawarma, Turquia, Istambul
E esse o prato principal. Espetinhos de carne, com um arroz com molho de tomate muito bom, tomates e pão feito na hora, na churrasqueira

O dinheiro deles é como se fosse 1 pra 1 em relação ao nosso. Mas o custo de alimentação deles é menor. Comíamos super bem com 30 liras turcas. Algo como 30 reais. Os dois. Depois ainda fomos atrás de uma doceria para uma sobremesa. Pedimos, por meio de mímica, um quadradinho cada um de doces diferentes. Só depois descobrimos que era por quilo a venda. E a moça da loja nem deixou que pagássemos. Ah! O doce era incrível.

O tour guiado

A dinâmica do tour é bem legal. Super organizado, com guia, com orientação. Claro que não tivemos tempo de ver tudo o que gostaríamos, mas fomos à Mesquita Azul e à Aya Sofia, dois lugares que eu queria muito visitar.

Deu tempo até de passar em um bazar (que não era o Graan Bazar, mas deu pra matar a vontade) e ficar simplesmente maluca com as porcelanas do país. Fomos direto almoçar, já que saímos do aeroporto meio-dia. Nos levaram em um ônibus com ar condicionado, tour, tudo do jeito descrito. A vantagem é que você pode tirar as suas dúvidas, perguntar sobre outros lugares pra ir… e até ter um tradutor no caso de não compreender o que significa alguma coisa. Bem legal.

Aya Sofya
Cristo Pantocrator (com a Virgem Maria e o Arcanjo Gabriel, esquerda e direita, respectivamente, e provavelmente o imperador Leão VI, prostrado aos pés de Cristo)
Aya Sofya, centro do mundo, Istambul
O centro o mundo já foi aqui. Depois de alguns séculos que alteraram o centro e o Meridiano de Greenwich passou a marcar o ponto O. Mas este, dentro da Aya Sofya, foi considerado por muito tempo o centro do mundo.
Aya Sofya
A parte externa da Aya Sofya, construção do século sexto antes de Cristo. Antes basílica bizantina, depois mesquita e finalmente museu.

 

mesquita azul, Istambul
Saindo da Aya Sofia, a gente já dá de cara com a Mesquita Azul, num desafio de religiões no meio da cidade

 

mesquista azul
O interior da mesquita azul. Gigantesca e linda.

turquia, mesquita azul
Lá dentro. Todos descalços, protegidos (homens de bermuda precisam colocar o saiote; mulheres de saia, short ou calça mais sequinha, também; quem está com ombros à mostra, usa uma espécie de vestido. E todas as mulheres com lenço na cabeça)
istambul, mesquita azul
A foto não é boa, mas dá pra entender o que eu estava falando

A cidade de Istambul

Istambul é uma cidade linda. Super bem cuidada, arborizada, florida, limpa.

istambul, cidade de Istambul
As ruas todas são assim. Super bem cuidadas, coloridas. E quando está feio, eles simplesmente trocam as plantas.

Uma coisa bem legal é que ela está situada metade na Europa, metade na Ásia, o que é muito maluco. O artesanato, como eu disse, é lindo. Dá vontade de levar tudo. Os xales, pachiminas, de uma qualidade absurda. As luminárias, os chás, os jogos de xícaras… Dá vontade de refazer a sua casa só com coisas dali. Sabe aquela cozinha da Rita Lobo com as porcelanas lindas? Então. Rita Lobo teria inveja.

porcelanas da Turquia, itambul
As porcelanas são (todas) simplesmente maravilhosas. As daqui são bonitinhas (mas você vai mudando de loja e vai ficando cada vez mais maravilhado)

 

Istambul, lanternas e lamparinas da Turquia
Repara nas lanternas, lustres e pendentes… São lindos demais (mas claro que também não combinam com qualquer casa… e outra coisa: como se leva isso pra casa sem quebrar?)

A cultura

Choque de realidade. É assim que posso melhor definir o que acontece em relação à cultura. Homens andam à frente das mulheres. Mulheres andam (não todas, mas em sua maioria) cobertas. Jovens não escondem o cabelo. Mulheres casadas, sim. Mas isso foi apenas a minha percepção. Não sei dizer se é assim mesmo.

Muita mulher totalmente coberta. Muita (até de burca vi). Abusando de maquiagem (afinal, só os olhos aparecem) e do brilho nos sapatos (mas que acabam por ser, invariavelmente, tênis (santa moda dos tênis com brilho!).

Aya Sofya
Na Aya Sofia, onde não é necessário cobrir a cabeça: uma mistura de religiões no meio dos turistas e de culturas também. Todos os tipos, em uma foto só.

Uma coisa muito louca que vimos foi, na ida para a Itália, o aeroporto totalmente lotado de pessoas com toalha. Não eram roupões. Eram toalhas. E só nos homens. As mulheres estavam vestidas. E eram grupos, como se fossem delegações. Nunca tinha visto aquilo, nunca tinha ouvido falar naquilo. Hoje, escrevendo, que fui procurar. E soube que é uma roupa (ihram) usada durante peregrinações (umrah). Eles devem chegar ao local de destino (como Meca) já usando essa “roupa”. Mas é bem estranho pra quem não está acostumado.

Um choque de realidade

É difícil dizer o que eu senti em relação a essa, por mais curta que ela tenha sido. Uma mistura de sensações, emoções. Dó dessas mulheres tão reprimidas. Mas que olham para aquelas que não são de sua  cultura de uma forma questionadora (principalmente as mais velhas), como se estivesse me recriminando, de uma certa forma. Elas não conhecem outra cultura. É assim. Uma ou outra que vai atrás de sua independência. Por isso é tudo muito louco.

E esse choque de realidade é também muito positivo. Gastronomicamente, culturalmente, ideologicamente. Vi coisas que tinha visto apenas em documentário. Se fiquei empolgada quando o Atlântico encontrou o Pacífico, na República Dominicana, o que dizer do Estreito de Bósforo, da Ásia dando tchau para a Europa?

Istambul, Turquia
É assim: pra cá é Europa. Pra lá, Ásia. Isso não é incrível?

Aquelas porcelanas, vidros, tecidos, tapetes… que só se vê em programas especiais e de turismo. Com os quais você apenas sonha.

A comida é fabulosa. E eu já imaginava. Pensa só… quem vem pra cá é refugiado ou quem está fugindo do país… Pessoas que têm outras profissões… mas que cozinham também. Imagina quem vive de cozinhar se não faria comida incrivelmente incrível? Não tem como ser ruim. Bom, eu amo comida árabe. Mas o Fe também gostou.

No final das contas

Acho que, no final das contas, a questão é: eu voltaria fácil. Ficaria mais tempo, porém mais próxima ao centro. Talvez uma excursãozinha mesmo, viu? Porque não conseguir se comunicar é muito ruim. Você não consegue ler, não consegue sequer imaginar o que significam aquelas letras tão diferentes… Mas é simplesmente maravilhosa a experiência de você estar inserido na história. Ver o quanto aquele lugar foi fundamental para a história da humanidade. Sim, eu voltaria fácil

 

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chris_samira

Produtora de conteúdo desde 2002. Adora listas, chocolate, viajar e da canina Lili, além do Fe, com quem é casada há quatro anos. É especialista em "jogar no Google" e acha que vinho é uma questão de gosto pessoal (até porque não entende nada do assunto - só de beber mesmo). Vive indecisa quanto ao que deve fazer. Mas não acha que isso seja um problema.

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Desde que eu e o Fê viemos para Roma, resolvemos transformar este blog em um espaço em que pudéssemos dividir as nossas experiências. Diariamente, vamos conhecendo a cidade, aprendendo a viver nela e também mostrando aqui para você. E assim, compartilhando o que a gente vê por aqui, queremos fazer da nossa nova casa, a sua também. Além das dicas e de tudo o que postamos aqui no blog, resolvemos também ir atrás de parceiros que podem ajudar a transformar a sua viagem em uma experiência mais tranquila. A partir de agora, o LÁ EM CASA TEM VINHO te ajuda também a organizar a sua viagem para Roma.

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