O dia em que eu conheci o Papa (e ainda respondi a uma pergunta super importante)

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E não foi só “o dia em que eu cheguei perto dele”. Foi o dia em que eu conheci o Papa, apertei a mão dele e ainda revelei um dos maiores mistérios da civilização brasileira. E conto tudo aqui. 

Quando a gente escolheu Roma para viver, um dos motivos levado em consideração foi a importância do Vaticano para o jornalismo. Estar em Roma faz com que estejamos no centro dos acontecimentos da Igreja Católica. E nem é preciso dizer o quanto isso é jornalisticamente relevante. O que o Papa faz vira notícia. Seja uma crítica a atitudes de determinados políticos, seja a ida a um estabelecimento comercial em Roma para comprar um simples sapato, seja a (nem sempre tão calorosa) recepção de um chefe de Estado.

Desde o ano passado, comecei a me credenciar para eventos realizados pelo Vaticano. O primeiro foi a canonização da Madre Tereza de Calcutá. O evento reuniu centenas de jornalistas, além de milhares de peregrinos, que vieram de todas as partes do mundo para acompanhar a celebração. Aquela foi a primeira vez que pude ver pedaços diferentes do Vaticano. Como as estátuas da praça de São Pedro, gigantescas, ali ao meu lado.

o dia em que eu conheci o papa

Há poucos meses, o prefeito de São Paulo, João Doria, esteve aqui em Roma para acompanhar uma audiência com o Papa, aquela das quartas-feiras (em que é possível ver o Papa bem de pertinho). Como o Papa só recebe chefes de Estado, e não era o caso, Doria foi acomodado nas cadeiras que ficam lá em cima, em uma espécie de altar ao lado de onde fica o Papa Francisco. Ao final, Doria apertou a mão do Papa, entregou alguns presentes e trocou algumas palavras. Acompanhei tudo bem de perto. E depois disso, já foram algumas outras tantas.

vaticano

canonização madre teresa de calcutá

vaticano

Por isso, sim, já estive perto do Papa. Trabalhar como jornalista nos proporciona oportunidades como essa. E como esta outra que eu conto agora.

O dia em que eu conheci o Papa

O  que aconteceu naquele sábado não estava nos planos. Aqui em Roma acontecia um torneio de natação, no qual participaram diversos atletas brasileiros que se preparavam para o mundial de natação que acontecerá agora em julho.

E assim, sem muita explicação, o Papa resolveu abrir uma exceção e receber 50 atletas de várias nacionalidades diferentes para um encontro no Vaticano. Desses atletas, quatro nadadores brasileiros e alguns membros da comissão técnica. Jornalisticamente, não poderia perder isso. Afinal, estávamos cobrindo o campeonato.

Fomos todos em um ônibus direto para o Vaticano. Ali dentro, nada de equipamentos. Só celulares foram autorizados. Na era das mídias sociais, celular é rei.

O Vaticano e a sala Clementina

A primeira coisa a dizer é que a gente realmente não faz ideia do que é o Vaticano. São prédios e mais prédios lá dentro. Ruas (em sua maioria vazias). Praças. Aqueles montes com brasão (daqueles que tem nas estradas, sabe?). E dentro dos prédios… um lugar absurdamente rico, repleto de obras de arte. Afinal, esse é o menor país do mundo. E menos de 1000 pessoas vivem por ali.

vaticano, via della conciliazione

Aquilo que a gente vê é só um pedaço ridiculamente pequeno e simples do que é essa estrutura toda. Talvez se misturarmos todos os pedaços aos quais temos acesso dê para termos uma ideia. Mas é diferente.  É inexplicável. São regras e mais regras de conduta. Inclusive da guarda.

Aliás, o guarda que nos acompanhou até o local onde aconteceria o evento é um caso à parte. Frio, com um andar quase robótico, e seguindo regras, ele nos acompanhou, vestindo o uniforme colorido característico da guarda suíça, ele escorria de calor. Quando acabou toda a “cerimônia” para nos levar até a sala, apenas comentei: “Calor, né?”. Ele respondeu apenas com um balançar de cabeça, sem qualquer palavra.

guarda suica subindo escada
— Clique na imagem para ver a velocidade do guarda para subir as escadas —

O evento aconteceu na sala Clementina, uma mistura de Capela Sistina (com seus tetos pintados) e auditório, 200 cadeiras nos esperavam. Ali, seríamos recebidos pelo Papa. Um a um foi se sentando e uma espécie de apreensão foi tomando conta das pessoas.

sala clementina, vaticano

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200 pessoas sem saber o que iria acontecer

Assim como quase a totalidade dos 200 presentes, acreditei que estaríamos em uma sala grande e veríamos o Papa lá de longe. Sim, estaríamos na mesma sala em que o Papa, em um evento fechado. Mas ele estaria lá na frente, sem qualquer interação direta. Mas não foi assim.

sala clementina

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Aos poucos, fomos descobrindo o que aconteceria ali. Um a um, fileira por fileira, foi sendo chamado para cumprimentar a figura mais importante da Igreja Católica. Talvez o Papa mais carismático dos últimos tempos.

Aperto de mão e uma pergunta inusitada

Eu não sabia se nós, jornalistas, também passaríamos por isso. Acho que só de estar ali já era uma emoção muito grande. Mas aí um jornalista italiano comentou; “O Papa não diferencia ninguém pela profissão”. E foi aí que chegou a minha vez.

Quando fomos chamados para irmos até o Papa, a apreensão e o nervosismo eram grandes. Talvez comparável quando eu, aos 20 anos, entrevistei Pelé pela primeira vez. É o Papa! E não é qualquer papa . É o Papa Francisco.

A minha vez

Na minha vez, ele estendeu a mão. Internamente eu estava nervoso. Mas não podia deixar de aproveitar o momento para trocar algumas palavras. Tudo o que me veio à cabeça era me apresentar e agradecer pelo encontro. Falei que era jornalista brasileiro e agradeci pela oportunidade de estar ali. Não pensava que pudesse haver qualquer retorno. Mas…

Quando ele ouviu que eu era brasileiro, abriu um sorriso e perguntou instantaneamente:

Jornalista brasileiro? Então me diz uma coisa: cachaça é água?

Dei risada. Respondi que não. E ele, assim como todos aqueles que estavam ao meu redor e ouviram a pergunta, riram.

E assim, em menos de 10 segundos, encontrei o Papa, apertei a mão dele e ainda sanei uma dúvida importantíssima de Vossa Santidade. Depois disso, foram uns bons 10 minutos de choque de realidade. Afinal, eu conversei com o Papa!

o dia em que eu conheci o papa
Na sequência das fotos: eu nervoso e sério apertando a mão do Papa (foto 1), ele descobre que eu sou brasileiro (foto 2), ele me faz a fatal pergunta (foto 3) e a gente dá risada após a resposta (foto 4).

Várias pessoas vieram me perguntar o que ele tinha dito, como tinha sido… E eu ali… tremendo.

E assim, em uma manhã de sábado de forte calor, no verão de 2017, cinco meses após eu chegar à Itália, conheci o Papa. Eu acreditava que isso pudesse um dia acontecer. Só não tinha a menor ideia de que seria assim.

A história da cachaça ficou na minha cabeça. Prometo levar uma garrafa no próximo encontro. Quem sabe em uma entrevista? Pois é, Papa Francisco. Cachaça não é água, não.

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Felipe Zboril

Jornalista, de rádio e TV, pós-graduado em jornalismo e teorias da comunicação. Casado com a Chris. Gosta de cozinhar e experimentar vinhos diferentes. Se puder fazer isso em um jantar em casa, melhor ainda. Já teve um blog de vinhos, um hobby que acabou virando coisa séria! Resolveu dar um tempo e agora, quase quatro anos depois, volta a escrever sobre o assunto.

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2 Replies to “O dia em que eu conheci o Papa (e ainda respondi a uma pergunta super importante)”

  1. Morto com a pergunta do Papa! Ele realmente parece ser uma figura muito diferente na Igreja Católica.

    1. chris_samira says: Responder

      Achamos incrível também. E depois pensando nas várias respostas diferentes que poderiam ter sido dadas… rsrs
      Obrigada pela visita!

      Abraços,
      Chris

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