Como é viver em Roma (as principais informações)

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Muita gente pergunta como é viver em Roma, como está sendo essa nossa experiência, ainda que pra gente tudo seja muito novo. Mas resolvi parar um pouco para contar como é.

Neste texto, falo sobre algumas questões que foram super importantes pra gente neste primeiro mês de Itália – e que podem ser úteis para algumas pessoas.

Como é viver em Roma

A primeira coisa a dizer é que não é fácil. Sim, a cidade é linda. Mas são inúmeros problemas. Sobre alguns, falei em outro post, sobre as minhas percepções sobre Roma em uma semana (e nada mudou, sério!).

A primeira coisa a se dizer é que é muito diferente você ir a Roma como turista (e ficar absolutamente encantado, como nós ficamos) e vir morar aqui, e viver como uma tentativa de cidadão (é mais ou menos isso). São tantas diferenças.

Você chega achando que será fácil, que você tem o seu objetivo, que tudo dará certo, que você irá atrás… mas as dificuldades vão aparecendo… às vezes parece que tudo era tão mais fácil antes (no seu idioma, com a sua vida antiga, com a sua família…). Mas tem que lembrar o motivo de você estar ali. É difícil. Mas depende apenas de você ter foça, superar e seguir em frente. Mas vamos às questões.

Preciso saber falar italiano?

Sim, saber o idioma é fundamental. Nós começamos a estudar italiano no ano passado, com professor particular, via Skype. Mas confesso que só o dia a dia mesmo que nos permite compreender melhor o idioma falado, forçar com que a gente escute e fale. Não temos outra alternativa. E isso é fundamental.

Muitas vezes você não vai entender direito, vai fazer cara de boba, responder que não é de lá. Mas juro que as coisas melhoram aos poucos. No meu caso, bem aos poucos.

Antes de explicar um pouco, uma historinha

Na primeira vez em que estivemos em Roma, não sabíamos falar uma palavra, exceto pelas básicas (o que era simpático, mas não resolvia). Os italianos, pelo que eu senti, não falam inglês (são poucos, melhora em regiões turísticas, mas o nível do inglês é sofrível). Tivemos diversos problemas de comunicação, por mais que eles se esforcem bastante para te ajudar (ainda mais se você é turista). O espanhol, no entanto, nos ajudou muito.

Na segunda vez, ano passado, já falávamos um pouco de italiano. Foi uma experiência completamente diferente. A gente ainda falava mal, mas entendia bastante. Foi super difícil no começo, mas foi bem melhor. Lembrando que ainda éramos turistas (e eles sempre estão interessados em nos ajudar).

Voltando à importância do idioma

Desta vez, a situação é um pouco diferente. Primeiro porque agora estamos morando na cidade. Não interessa se estamos aqui legalmente, se temos documentação, se o Fe tem emprego. Para eles, somos estrangeiros. E ainda extracomunitários. A intenção de nos ajudar é praticamente nula. Se não soubermos falar o idioma, se não soubermos minimamente nos virarmos aqui, estamos ferrados (desculpa, mas não existe palavra que melhor se encaixe). Somos apenas mais dois imigrantes no meio de centenas de milhares que ocupam o espaço deles. E precisamos nos virar. Se a gente não descobrir as informações, esqueça, porque ninguém vai te ajudar.

Claro que se você possui passaporte italiano, as coisas podem mudar. Mas para quem precisa ainda da documentação, te conto: tudo é bem difícil. Mas já falo sobre isso.

Cursos gratitos de italiano para estrangeiros

Uma coisa legal é que existem cursos de italiano para estrangeiros gratuitos e em todo o país. Geralmente ministrada por voluntários de organizações religiosas ou sem fins lucrativos. Aqui em Roma é possível encontrar um lugar para ter aula no site do Scuolemigranti.

curso gratuito de italiano para estrangeiros
Repara só na quantidade de cursos disponíveis por toda a cidade

Como é a chegada ao aeroporto

Quando pesquisamos sobre o que é necessário para entrar na Itália, muita gente fala tudo quanto é tipo de coisa. Seguro-viagem, dinheiro em espécie, carta-convite, comprovante de hospedagem (ou similar – acho que é aí que entra a carta-convite, mas não entendi exatamente o que é isso), coisas desse tipo. O Fe chegou antes. Ele estava com três malas (mais a bagagem de mão!) e nenhuma passagem de volta. Na imigração, foi tranquilo. Só na passagem final, que ele foi abordado por um policial. Pediram para que fosse para uma espécie de salinha. Perguntaram quanto tempo ficaria, o que ia fazer, se tinha emprego… essas coisas. Mas como ele tinha tudo em mãos (e certinho), tudo deu certo.

A minha experiência foi bem mais tranquila. Na primeira vez, em fevereiro, ninguém perguntou nada. Na segunda, na imigração, perguntaram quanto tempo ficaria em Roma e, quando disse que cerca de 20 dias (afinal, a passagem está comprada), a pessoa mencionou que era muito tempo. Falei que tinha visto de missão e carimbaram meu passaporte.

Quais os documentos necessários para você conseguir se virar na cidade (como cidadão)?

Saímos do Brasil com codice fiscal (o CPF deles) em papel e o visto de missão. Falaram que teríamos direito a tudo o que teria um italiano, inclusive tessera sanitária (o equivalente à carteirinha do SUS deles). Não é bem assim. O codice fiscal em papel de nada nos serve. Quanto ao visto, ninguém quer saber sobre ele. Seu passaporte? Não me faça rir.

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Ai, o passaporte…

Para fazermos qualquer coisa é preciso ter o permesso di soggiorno. Temos até oito dias, a contar da data de chegada, para dar entrada no pedido do permesso. Após um tempo do pedido (preenchido, pago – cerca de 45 euros – e entregue no correio), vem um e-mail com a data da entrevista na questura (mas isso porque nós temos o visto de missão). A do Fe demorou um mês a partir da chegada para ser feita.

Na questura, as impressões digitais são tiradas (como o nosso caso é um pouco diferente, tínhamos horário marcado e entramos por um lugar diferente. Mas, na saída, vimos centenas de pessoas aguardando pela sua vez nos guichês) . Em cerca de 20 dias eles nos informam que é possível a retirada. Ainda estamos aguardando. Só depois da carteirinha do permesso di soggiorno que poderemos fazer a carteirinha do codice fiscale.

Como é abrir conta em banco?

É difícil. Muito difícil. Principalmente se você ainda não tem toda a documentação. Acho que o Fe foi a mais de dez agências diferentes para tentar abrir uma conta. Tentou Unicredit para estrangeiros (só com algum documento italiano – em carteirinha), Che Banca, um banco mais moderninho, com muita coisa online e cesta que pode ser gratuita ou de 2 euros (mas que só abre com algum documento italiano – em carteirinha), Posta (só com codice fiscale em carteirinha).

Parece que até o ano passado era possível a abertura de contas por estrangeiros com qualquer documento, mas acredito que o grande volume de estrangeiros no país abrindo conta a torto e a direito fez com que mudassem as regras. No final, conseguimos abrir uma conta no BNL do grupo BNP Parribá, banco francês aqui em Roma. Pagamos um fortuna de cesta mensal, mas eles abriram com os documentos que temos ainda. Depois que nossos documentos chegarem, podemos alterar o tipo de conta.

Ah! Importante mencionar: não existe banco brasileiro em Roma (tem Santander, mas é só para crédito pessoal e a única unidade do Banco do Brasil que existia, saiu daqui. Agora, só em Milão).

A tal da burocracia

Já deu pra perceber que tudo é muito burocrático, né? Uma coisa depende da outra, que depende da outra, que depende da outra. Não existe jeitinho, muito menos exceção. Se não conhecer ninguém, se não tiver quem te ajude, coitado de você. As informações são totalmente desencontradas (sério: você vai em um lugar, falam que você tem que ter ou fazer isso, aquilo e aquilo outro. E deve ir para outro lugar. Você vai pro outro lugar, dizem que você tem que ter um terceiro, quarto e quinto documento. Em outro lugar. você vai pro terceiro lugar e não era nada daquilo). Os funcionários públicos não estão nem aí pra você, principalmente se perceber que você é estrangeiro.

Achava que o Brasil era burocrático? Você não tem ideia do que é isso aqui. Saudades do Poupatempo.

A televisão italiana é boa?

Comecemos pelo fim. Não achei.

A TV a cabo é uma fortuna. Apesar de já ter lido que há uma conta anual para pagar da Rai, a TV estatal, ainda não sei sobre isso no dia a dia. De qualquer forma, a TV aberta vai até o 999. Lá pela metade, são canais de rádio. Há tanto alguns que só passam música, quanto alguns que tem clipes e até programas ao vivo (como o Pânico, na Jovem Pan).

É ridícula a quantidade de canais de vendas (muito provavelmente feito especialmente para os velhinhos italianos que ficam à frente da TV só esperando as soluções para seus problemas – por isso a venda de produtos, como equipamentos que ajudam a levantar do vaso sanitário!).

A Rai tem um milhão e meio de canais. Exceto pelo de jornalismo 24 horas, não assistimos aos outros, só papeando mesmo.

Avante un Altro

O Mediaset é outro canal importante.Tem um programa muito doido, o Avante un Altro, que eu acho uma mistura de Silvio Santos com aqueles programas que o marido da Luciana Gimenez apresenta na RedeTV. O cara faz merchan como a Catia Fonseca (mas não é no meio do programa), ele é de perguntas e respostas, adivinhação… Conheci, na verdade,  no ano passado, quando rolava pela internet um vídeo de uma mulher que dava risadas histéricas ao participar de um programa de TV. Ele é bom? Não, mas é interessante. E aparece cada figura…

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O apresentador Paolo Bonolis. Foto: Divulgação Mediaset

Passa futebol na TV?

Se gosta de futebol, a TV vai ser um problema. Pense só no nosso caso, que tínhamos assinatura do Premiere. Ocasionalmente passam jogos da Liga dos Campeões. Anda não entendi quais as regras para isso (esta semana, por exemplo, não passou). Campeonato Italiano na TV aberta? Nem em sonho. Só TV a cabo mesmo (e, como eu citei lá em cima, é carinha).

E a telefonia celular?

Se você não tem documentos ou conta em banco, o jeito vai ser fazer um plano para turistas mesmo (e isso é bem legal, por sinal. Usamos nas duas outras vezes em que estivemos por aqui). Basta apresentar passaporte (e pode ser cópia) e pagar.

Desta vez, já tivemos dois chips. Nosso primeiro plano foi pela TIM: 25 euros no primeiro mês (chip, o SIM card + 5gb de internet + 1000 minutos de ligação para a Itália. Para renovar, 13 euros por mês). Agora, com conta em banco, fizemos pela Tre (com 8 gb de internet e minutos ilimitados pela Itália – parece que tem alguma coisa que pode ligar para o exterior, mas ainda temos que ler as informações do folhetinho que nos deram). A Trè foi escolhida pela quantidade de dados, que é a nossa prioridade. Valor: 10 euros mensais (com 30 meses de carência e 10 euros por chip – se sair antes, 49 euros de multa). Funciona bem.

E a internet, funciona?

Ficamos em dois apartamentos aqui em Roma desta vez. Em ambos, a internet era Wind. E já aviso: fuja que é fria! Falam em 20mb, mas não chega a 2mb. Se precisar de upload, a situação é tão ridícula que teve uma vez em que o Fe foi para uma espécie de lan house que tem aqui perto para poder mandar um material pro trabalho (estava a 0,37 mb por aqui!). Algumas vezes, não conseguíamos sequer falar pelo Skype. Não dá.

Fizemos agora, também após a conta no banco, um plano da Fastweb, que dizem ser a melhor internet daqui. É fibra e vai até 200mb. Valor do plano: 25 euros por seis meses. Depois, 30 euros. São 24 meses de contrato e há multa caso decida finalizar o contrato antes (cerca de 50 euros). Depois que eles aprovam seu cadastro, um técnico agenda uma visita. Depois de alguns dias, o modem chega na loja (pode ser no seu endereço, mas se você não tiver certeza de que estará por lá 100% do tempo, melhor deixar para pegar na loja mesmo). Fomos esta semana buscar o modem e, por enquanto, está funcionando bem (Skype sem pipocar, Youtube com qualidade e velocidade de upload boa). Ah! E é super fácil de instalar.

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O modem da Fastweb (grandinho até)
estúdio i
Mas olha só a qualidade da imagem com a fibra…

De uma forma geral, o que posso dizer é que as coisas não são simples como você imagina (por mais que eu acreditasse que não fosse ser fácil, não imaginei que fosse ser da forma como está sendo). Mas quando você lembra que pode andar um pouquinho e ver o Coliseu, a Fontana di Trevi ou tomar um belo gelato a qualquer momento… passa a valer a pena.

Ficou com alguma dúvida? Está com curiosidade sobre algum assunto específico? Comente aí embaixo ou mande um e-mail pra gente.

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chris_samira

Produtora de conteúdo desde 2002. Adora listas, chocolate, viajar e da canina Lili, além do Fe, com quem é casada há quatro anos. É especialista em "jogar no Google" e acha que vinho é uma questão de gosto pessoal (até porque não entende nada do assunto - só de beber mesmo). Vive indecisa quanto ao que deve fazer. Mas não acha que isso seja um problema.

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Desde que eu e o Fê viemos para Roma, resolvemos transformar este blog em um espaço em que pudéssemos dividir as nossas experiências. Diariamente, vamos conhecendo a cidade, aprendendo a viver nela e também mostrando aqui para você. E assim, compartilhando o que a gente vê por aqui, queremos fazer da nossa nova casa, a sua também. Além das dicas e de tudo o que postamos aqui no blog, resolvemos também ir atrás de parceiros que podem ajudar a transformar a sua viagem em uma experiência mais tranquila. A partir de agora, o LÁ EM CASA TEM VINHO te ajuda também a organizar a sua viagem para Roma.

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Estamos pensando em diversos aspectos. Mas queremos te oferecer possibilidades de buscar todos os produtos e serviços em um só lugar.
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4 Replies to “Como é viver em Roma (as principais informações)”

  1. Gostaria de outras informações. Poderia me retornar com um e-mail?

    1. chris_samira says: Responder

      Oi, Cristiane, desculpa a demora… estávamos viajando. Você pode enviar um e-mail para contato@laemcasatemvinho.com.br.

      Abraços,
      Christiane

  2. Oi Chris, fiquei com uma dúvida…para fazer o Codice Fiscale é necessário mesmo o Permesso? Tinha lido em alguns sites que bastava o passaporte e o carimbo nele (o carimbo no passaporte para quem desembarca na Itália) para conseguir fazer o Codice Fiscale na Agenzia dell’Entrate. Peguei essa informação no site http://www.minhasaga.org/2007/06/fazendo-meu-codice-fiscale/. Será que em Roma é diferente? Estamos indo para tirar a cidadania italiana em março do ano que vem. Obrigada! 🙂

    1. chris_samira says: Responder

      Oi, Carolina, tudo bem? Obrigada pela visita.

      Na verdade, a gente fez o codice fiscale no Brasil, na Embaixada italiana em São Paulo, no ano passado. Recebemos um papel com o nosso codice. Mas para conseguir a carteirinha do codice fiscale, a tessera, só foi possível depois do permesso di soggiorno. Mas é possível, sim, obter o codice antes.

      Olha, prefiro sempre falar que essa foi a nossa experiência. Não sei te dizer, por exemplo, se para quem está fazendo a cidadania (não é o nosso caso) é diferente. Uma outra coisa é que aqui cada um fala uma coisa. E não é apenas em cidades diferentes. É na mesma cidade mesmo. Em unidades do mesmo órgão! Olhando hoje chega a ser engraçado. Mas na época foi desesperador mesmo… rsrs Por isso, não duvido nada que uma outra pessoa consiga tirar sem o permesso di soggiorno.

      A última coisa que te falo é que houve alteração em algumas regras nos últimos anos por aqui, em relação à documentação. A gente sentiu isso na pele quando foi abrir conta em banco. Uma pessoa com os nossos documentos, no ano passado, conseguia abrir a conta. A gente não conseguiu (só depois de tudo pronto). Mas eu já ouvi uma pessoa dizendo que conseguiu… Bom, tudo isso pra dizer que não custa nada tentar…

      Não sei se ajudou muito a minha resposta, mas qualquer coisa, estou por aqui.

      Abraços,
      Chris

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