Como é assistir a um jogo no Estádio Olímpico

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O Fe trabalha com esporte. E nunca, apesar da minha insistência, tínhamos ido assistir a uma partida de futebol em outro país. Nem em estádio ele quer ir. Juro! Acho que o único em que ele foi para turistar foi o do Boca, na Argentina. Mas foi a primeira viagem internacional dele (falei sobre nossa viagem aqui). Ele estava empolgado ainda. Depois disso, nunca mais.

Quando fomos a Paris, ele chegou a ir no centro de treinamento do Paris Saint Germain. Mas não no estádio. Mas, de qualquer forma, foi a trabalho.

Dessa vez, foi engraçado. Porque eu já tinha falado com o Fe de irmos ao estádio Olímpico porque haveria o jogo da Roma no domingo. E ele concordou. Mas aí eu meio que desencanei porque o ingresso estava meio caro.

Acontece que uns dois dias depois, encontramos com um amigo do Fe, da época de faculdade (acredita? eles estavam há uns cinco anos sem se ver, apesar de morarmos no mesmo bairro. Um dia, o encontramos, sem querer no supermercado. Depois, nos encontramos em Roma). E ele também queria ir.

Como comprar o ingresso

O ingresso compramos no dia anterior ao jogo, em uma loja da Roma (tem várias espalhadas pela cidade. Basta levar um documento com foto – inclusive no dia da partida – serve cópia do passaporte na compra, mas no dia tem que levar documento original. Ah! Mulheres têm um pequeno desconto!). Pagamos 25 euros. E era o ingresso mais barato.

Fomos ao estádio Olímpico assistir a Roma e… não lembro o nome do outro time. Mas não era nada demais. Jogo do campeonato italiano (eu bem que queria ter assistido à Liga dos Campeões, mas não tinha um bendito clube de Lazio classificado. Só jogo longe).

Por que assistir?

O que é muito legal da experiência é ver como tudo funciona. Aqui no Brasil, eu não sou lá muito animada para ir a estádios de futebol. Primeiro que é longe. Segundo que é perigoso. Terceiro que é caro. Quarto que eu não tenho poder de concentração para futebol (eu fico simplesmente encantada com a torcida, fico viajando, observando – e quando percebo já foi gol e nem reprise tem). Mas gosto, digamos, da experiencia socio-antropológica da coisa.

Nossa chegada ao estádio

Primeiro de tudo: na própria loja, no dia da compra, nos ensinaram a chegar ao estádio (por vários caminhos diferentes). Nós resolvemos nos encontrar no Vaticano (o Fabio queria ver a Praça de São Pedro – na verdade, a ideia era assistir a um pedaço da missa, mas todo mundo acordou tarde e não deu). Pegamos um ônibus que ia direto para o estádio logo ali perto.

Os ônibus em Roma (todos) têm ar condicionado. Mas isso não representa a salvação. Porque eles são lo-ta-dos. O que pegamos estava ainda mais porque ia só com torcedores. Todos vestindo as camisas de seus clubes. AS camisaS? Sim, havia as duas torcidas no ônibus. E muitos turistas apenas querendo aproveitar ainda mais a oportunidade de conhecer um outro lado da cidade (e que tinham comprado uma camiseta do clube no dia em que compraram o ingresso também – boa sacada de marketing).

O ônibus para ao lado do estádio. Caminho tranquilo até. Ruas bloqueadas. Mas… vamos lá para as minhas observações. Começa que o estádio fica ao lado do parque aquático onde aconteceram os Jogos Olímpicos de Roma e onde, até hoje, há um monumento erguido em homenagem a… Mussolini.

Ok. Respira e segue o jogo.

Como funciona a entrada no estádio Olímpico

Pra entrar, uma bagunça. É proibido entrar com garrafa de qualquer tipo, inclusive plástica. Por isso, no chão, pilhas e pilhas de lixo. Que a italianada joga sem dó antes de entrar.

Os seguranças conferem, um a um, ingresso e documento. Os ingressos vão com o nome do torcedor e cadeira. Fila? Pra que? O que importa é entrar. Com jeitinho é possível furar a fila (ou ser mais esperto, segundo alguns). Eu esperei um tempão (tire suas próprias conclusões).

Depois, passamos por seguranças que revistam as suas coisas. São proibidos objetos cortantes (óbvio), mas também qualquer coisa que seja pesada o suficiente para ser arremessada. Como um carregador externo de celular (sabe aqueles da carga extra?). O Fabio, amigo do Fe, estava com um e o segurança queria que ele deixasse lá fora (tipo, jogar mesmo). Na lábia, ele conseguiu convencer o segurança a ficar com o objeto (“mas só retire da sua mochila quando você sair do estádio”. Ahã). Segundo o segurança, ele poderia arremessar no campo (até agora não consigo entender porque ele, brasileiro, apesar de ter cidadania portuguesa, iria arremessar alguma coisa no campo, mas ok).

Depois disso, passamos por um segundo segurança, que revista tudo de novo. E, desta vez, fizeram o Fabio deixar um desodorante (não queira entender). E, por fim, o último segurança. Para então chegarmos ao estádio em si. Pra mim, foi super sossegado. Eu não tinha um desodorante na bolsa, mas tinha um carregador externo. E ninguém ligou pra ele. Vai saber…

Como é assistir a um jogo no Estádio Olímpico

Lá dentro

No estádio, não tinha muito torcedor. Talvez reflexo da fase da Roma. A nossa área, como era a mais barata, estava mais cheia. Mas eles são meio torcedores são-paulinos (eu sou são-paulina). Uma música aqui, uma ali. E, de repente, um silêncio profundo. Que faz com que você converse tranquilamente com quem está ao seu lado.

Mas os palavrões… teve muito cazzo, vafanculo e etc. Eles xingam com as mãos, tipicamente italiano. É divertidíssimo observar.

Parte ruim: a italianada fuma muito.

Parte diferente: eles fazem o próprio cigarro. Compram papel, aquele bagacinho que vai no meio, enrolam e fumam. Não importa quem está ao lado. E é super normal.

Parte interessante: apesar de haver vendedor ambulante, eles andam apenas nos corredores (adorei a organização. Se bem que pode ser que nos novos estádios isso também aconteça. Não fui mais a estádio depois que eles ficaram “padrão Fifa”.

Há uma região de bares antes de chegar no acesso aos lugares e banheiros (que eram limpos na entrada, mas na saída não tive coragem de entrar).

Os torcedores ficam divididos, como aqui no Brasil. Lá no cantinho, cantinho mesmo, ficava a torcida rival. Quase todo o resto estava do nosso lado.

O fator Totti

É muito engraçado observar o jeito que os outros torcem. Logo no começo da partida, eles dão a escalação. O locutor fala o primeiro nome e os torcedores gritam o sobrenome. Essa parte foi legal. O último nome a ser anunciado foi o de Totti, ídolo máximo dos torcedores da Roma (prazer, Christiane) e que leva o estádio à loucura (dentro ou fora de campo). O Totti começou no banco, mas acabou sendo colocado pra jogar depois. A hora em que ele entrou em campo foi insana. Pior ainda quando ele fez o gol da vitória.

O fator clima

Nossa viagem aconteceu no final do verão europeu. Roma é uma cidade bem quem quente no verão. E as águas de março daqui acontecem em setembro por lá. Por isso, estávamos mais do que acostumados com uma pancadinha de chuva e o retorno à normalidade logo em seguida.

O dia começou com um baita sol, como de costume. Achei que fosse esturricar o cabelo em nosso caminho ao estádio (e não tinha levado um boné!). Mas aí descobri que o estádio era coberto (exceto pela parte mais cara) e fiquei tranquila.

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Repara no sol pouco antes de o jogo começar (por volta das 15h)

Só que o tempo foi fechando, como de costume. Fechando, fechando, fechando…

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De repente…

Até começar a cair a maior chuva que eu já vi na vida.

estádio olímpico, Roma
Aqui, pouco antes do intervalo do primeiro tempo, a chuva ainda estava ok. Nem imaginávamos o que viria

Caiu pedra, teve ventania, enxurrada e mesmo o estádio sendo coberto, molhou todo mundo. As pessoas corriam. Nós, que estávamos lá em cima, fomos descendo, pulando os bancos (porque não tinha como andar pelas escadas do corredor porque tinha água caindo aos montes!). As pedras batiam nas costas com força, como se estivessem sendo estrategicamente arremessadas para nos atingir (tipo: “tava reclamando do sol? Então toma!”). Nunca tinha vivido isso. E eu, friorenta do jeito que sou, morri de frio. Era um vento absurdo. Até os meninos sentiram frio. Mas também… a gente com roupa de calor, ensopados e ainda um vento insano… Nem tinha como.

Roma
As pedrinhas que caíam. Aos montes (bem nas suas costas. Era só dar mole)

Consequência disso? O campo ficou simplesmente alagado! Mas como toda chuva de verão, ela passou (se bem que demorou pra passar, viu?). O tempo abriu, o jogo, que ficou paralisado por 45 minutos, voltou (e olha que o árbitro foi lá por duas vezes pra checar se a bola rolava mesmo ou não). A drenagem funcionou super bem. Quando os jogadores retornaram, parecia que tinha sido uma leve garoa.

Mais engraçado foi um italiano ao nosso lado. Quando o locutor da partida disse que ainda não era certo se o jogo voltaria ou não (e nós todos molhados, com frio, mal instalados, ainda aguardávamos), ele gritou: “A lavorare!”. No maior estilo: “vai trabalhar, vagabundo. Ganha demais pra fugir de uma chuvinha”. Ok que eu cheguei a pensar nisso, mas se tivesse terminado por ali nem iria reclamar, já tinha vivido minha experiência.

No final das contas

Assistimos a um jogo do campeonato italiano, vi vários hábitos diferentes da italianada, presenciei a maior chuva da história, dei muita risada e ainda assisti à vitória da Roma de virada – com gol de Totti no final (tudo bem que a gente tinha acabado de sair porque estávamos com medo da volta, de ter muita gente. Perdemos o gol, todo mundo saiu, funcionou super bem a saída e o ônibus demorou pra caramba. Mas abafa). Baita história pra contar.

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chris_samira

Produtora de conteúdo desde 2002. Adora listas, chocolate, viajar e da canina Lili, além do Fe, com quem é casada há quatro anos. É especialista em "jogar no Google" e acha que vinho é uma questão de gosto pessoal (até porque não entende nada do assunto - só de beber mesmo). Vive indecisa quanto ao que deve fazer. Mas não acha que isso seja um problema.

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Desde que eu e o Fê viemos para Roma, resolvemos transformar este blog em um espaço em que pudéssemos dividir as nossas experiências. Diariamente, vamos conhecendo a cidade, aprendendo a viver nela e também mostrando aqui para você. E assim, compartilhando o que a gente vê por aqui, queremos fazer da nossa nova casa, a sua também. Além das dicas e de tudo o que postamos aqui no blog, resolvemos também ir atrás de parceiros que podem ajudar a transformar a sua viagem em uma experiência mais tranquila. A partir de agora, o LÁ EM CASA TEM VINHO te ajuda também a organizar a sua viagem para Roma.

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