Como aprender italiano (ainda) no Brasil

Está pensando em visitar a Itália ou vir morar por aqui? Que tal aprender um pouco do idioma local antes de vir pra cá? A gente conta 10 formas para você aprender italiano neste post. 

A primeira vez em que estivemos na Itália foi em 2013. Na verdade, nada estava programado. Aconteceu de o Fê fazer um estágio na Radio França Internacional. E, já que estávamos por aqui, resolvemos aproveitar e estender a viagem para Roma e Londres (algo que eu não faria hoje em dia – muita correria! Mas esse não é o tema). Tudo aconteceu super rápido e não tivemos tempo de nada. Muito menos para aprender qualquer coisa em italiano.

Nós chegamos por aqui sem falar nada. Só “buongiorno”, “ciao” e “grazie”mesmo. Nada além. A principal questão é que aqui muito pouca gente fala inglês. E isso acabou dificultando um pouco. Usamos inglês, português, espanhol e mímica mesmo. Mas deu certo. Eles, pelo menos aqui m Roma, se esforçam bastante para te entender. Principalmente nos pontos mais turísticos.

Ah! Uma coisa interessante: por aqui eles falam e entendem muito mais o espanhol. Inclusive na primeira vez em que fomos ao Vaticano, não estávamos entendendo o motivo de um monte de gente ter um papelzinho colorido na mão e eu fui perguntar, em inglês para um padre. Que não me entendeu. Mas falou tranquilamente com o Fê, em espanhol.

Mas no ano passado, quando começávamos a pensar para onde iríamos, a nossa única certeza é que precisaríamos aprender o idioma. Qualquer que fosse o país. E então, assim, que descobrimos que poderia ser a Itália, começamos a procurar métodos para aprender italiano.

Níveis de italiano

A primeira coisa a saber é que na Europa o domínio do idioma é dividido em seis níveis (livelli, em italiano): A1 / A2 / B1 / B2 / C1 / C2.

como aprender italiano

Sendo A1 o mais básico e C2 o mais avançado. Com um nível B1 você já consegue viver por aqui. Lógico que é aquela coisa: você “se vira”. Mas encontrar emprego é bem mais difícil com um B1.

A coisa é relativa. Para se ter uma ideia, estrangeiros que estão na Itália há mais de cinco anos e que querem pedir o permesso CE, por tempo indeterminado (a antiga carta di soggiorno), devem fazer um teste de conhecimento do idioma italiano para comprovar que sabe o suficiente para ser classificado como A2. E eu acho bem pouco. Afinal, eles pedem A2 pra quem ficou na Itália por cinco anos.

Uma outra coisa é que aqui na Itália existem diversos lugares que dão aula de italiano para estrangeiros de forma gratuita. Então dá para aprender mais do que A2.

Bom, de qualquer forma, é possível, sim, aprender italiano ainda no Brasil. E neste post a gente conta os métodos. E quais formas utilizamos.

Como aprender italiano no Brasil

São vários os métodos. Aqui a gente elenca 10. Boa parte deles a gente usou.

#1 Aulas presenciais em escolas

Sou super fã de aulas presenciais. Adoro essa história de ir à escola, fazer aula com outras pessoas. Pra mim, isso funciona super bem. Mas vai de cada um.

Os problemas: a rigidez dos horários (eles são sempre pré-estabelecidos, não tem jeito) e o custo. Se for de manhã, tem que acordar cerdo, pegar trânsito, transporte pode atrasar… Se for à noite, a gente nunca tem a certeza de que vai conseguir sair do trabalho no horário, se não vai ter um evento. No caso do Fê, que trabalhava por escala, é pior ainda.

Em São Paulo existem várias escolas que ensinam italiano. Algumas caras, outras mais ainda. Achei difícil encontrar qualquer curso por menos de 500 reais (para aquelas que funcionam em módulos semestrais). E por menos de 1300 reais (para as que fazem cursos intensivos, com módulos mensais). Uma dica legal

Geralmente, funcionam por módulos, respeitando a divisão europeia: A1, A2, B1, B2, C1, C2.

#2 Aulas particulares 

Funcionam de duas formas. A mais tradicional, presencialmente. A segunda, mais moderna (digamos assim), via Skype. Usamos o segundo método, por Skype. Por alguns motivos, mas em especial devido à flexibilidade do horário.

Encontramos nossos dois professores no Google. Joguei: “aula de italiano + skype”. Ambos os nossos professores eram da Sardenha, italianos morando no Brasil.

Nossas aulas ficavam pré-estabelecidas para terça-feira, às 20h30 (que era o horário que eu chegava em casa), quando fazíamos juntos (com um descontinho porque nós dois estávamos fazendo). Quando a gente não podia, avisávamos com antecedência. E remarcávamos para outro dia. A aula tinha uma hora de duração. Tinha apostila ou livro (conforme o professor disponibilizava). O material ficava disponível no Dropbox. Ou enviavam por e-mail. A aula tinha exercícios e a parte de leitura e conversação.

#3 Cursos gratuitos disponíveis na internet

Existem alguns cursos gratuitos de italiano disponíveis na internet. Dois dos mais recomendados são o da USP, a Universidade de São Paulo, e o da RAI, tV estatal italiana.

USP

Dire, fare, partire é uma produção do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas e da Área Didática em Língua e Literatura Italiana da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O curso é gratuito e interativo. E é possível, inclusive, fazer o download dos vídeos.

O curso está dividido em duas partes. A primeira, Dire, fare, partire, com 16 lições, para nível básico. O segundo, Dire, fare, arrivare, com 17 lições, de nível intermediário. O curso possui também uma página no Facebook.

RAI

A RAI, TV estatal italiana, possui um grande portal para o ensino do idioma italiano. É possível aprender conforme o seu nível. Se você não souber, existe até um teste de nível para você verificar seu conhecimento.

#4 Gramática italiana para estrangeiros

Eu estudei por um tempo sozinha com uma gramática. A que eu comprei foi a dicionário bilíngue. Uma gramática que tem para estudantes de vários níveis. A minha era a 1. E ajudou bastante.

Outro livro, que usamos inclusive com um de nossos professores, foi o Nuovo Progetto Italiano (aliás, encontrei uma escola de italiano que usava esse mesmo livro).

São bons livros para se aprender. E ainda é possível estudar sozinho.

Ainda nessa parte livros, super recomendo a compra de um dicionário bilíngue. Eu comprei um português-italiano da Michaelis (daquele escolar) assim que comecei a estudar. E é legal porque ajuda mesmo.

Uma dica para usar o dicionário é colocar como meta aprender cinco palavras por dia. Todos os dias, você procura no dicionário cinco novas palavras. E estuda essas palavras por um tempo. No dia seguinte, você relembra essas palavras e complementa com as outras cinco. No outro dia, relembra as dez palavras anteriores. E acrescenta outras cinco. E por aí vai. Eu confesso que até comecei a fazer isso. Mas depois de um tempo, parei.

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#5 YouTube

Estou assistindo a vídeos no YouTube. Tem vários canais diferentes. Um dos que achei bastante interessante é o da  Ana Paula,  uma tradutora brasileira que mora na Itália há não sei quantos anos e tem dois canais no YouTube: um que ensina português a italianos e outro que ensina italiano aos brasileiros. A didática é tão boa que dá vontade de ter aula com ela! Pena que ela não faça esse tipo de trabalho – já perguntei). Outro bem legal, mas nível intermediário (já que ele fala tudo em italiano) é o Learn italian with italiano automatico, feito por um italiano na faixa de uns 20 anos que te explica o italiano ajudado pela avó. Eu acho ótimo. O resultado dele está sendo tão positivo que ele já está vendendo o curso!

Uma outra forma é com desenhos em italiano. Encontrei diversos desenhos com legenda na internet. Como eles falam devagarzinho, fica mais fácil entender.

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Os canais Itália por Ana Paula e Learn Italian with Italiano Automatico – boas opções disponíveis no YouTube

#6 Podcasts

Podcasts viraram uma grande mania pra mim depois que eu comecei a estudar italiano. Existem vários disponíveis, que ensinam os mais diversos idiomas. Já baixei vários, mas o que mais gostei para aprender italiano foi Coffee Break Italian . Chegaram até a ganhar, recentemente, um prêmio pelo projeto: o British Podcast Awards.

Eles têm uma página do Facebook e um site, no qual é possível comprar o conteúdo mais completo. O que achei legal é que eles têm o mesmo projeto para diversos outros idiomas (tem até chinês!).

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#7 Aplicativos

Existem vários aplicativos que te ajudam a aprender idiomas. Busuu, Babbel e Duolingo são alguns deles. O negócio aqui é estudar um pouquinho, mas todos os dias. Eu já fiz o nível básico de vários deles. E realmente acho ótimo para quando vamos viajar para um outro país e queremos aprender pelo menos o essencial (tipo: oi, bom dia, obrigado, com licença, por favor).

#8 TV e filmes

Com Netflix, Now e tantos outros (além do nosso queridíssmo YouTube) fica difícil não ter acesso a filmes em outros idiomas.

Começamos a assistir a algumas produções originalmente italianas até por indicação do professor. Segundo ele, quando um estrangeiro fala italiano pode cometer alguns errinhos e isso pode atrapalhar o aprendizado. Um dos primeiros a que assistimos foi o (insosso) “Habemus Papam”. “Malena” e “A grande Beleza” são alguns outros que estavam disponíveis até recentemente.

Além disso, para quem assina a NET, existe sempre a possibilidade de assistir à RAI (lá pelo canal 200).

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#9 Músicas em italiano

Ouvimos muita música italiana. Os básicos Laura Pausini e Eros Raamzzotti estão na lista. Mas fiz algumas pesquisas e encontrei vários outros, como:

  • Modà
  • Il Volvo
  • Arisa
  • Francesco Gabbani
  • Elisa
  • Michele Bravi
  • Tiziano Ferro
  • Nek

Só pra citar alguns. Tem várias rádios italianas disponíveis. Inclusive de noticiário. Vale a penas buscar em aplicativos de música, como o Spotfy ou ainda de rádios.

#10 Sites em italiano

Ler em italiano é bastante complicado, mas o que é legal é perceber a sua própria evolução. Tem jornais, como Corriere della Sera, Il Messagero, Corriere dello Sport (pra quem gosta), a agência de notícias Ansa (com site em português também), o site RomaToday, além de Leggo e Metro News (esses dois últimos distribuídos gratuitamente no metrô).

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Tem alguma outra dica de como aprender italiano ainda no Brasil? O que melhor funciona pra você? Comente aí embaixo. 

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chris_samira

Produtora de conteúdo desde 2002. Adora listas, chocolate, viajar e da canina Lili, além do Fe, com quem é casada há quatro anos. É especialista em "jogar no Google" e acha que vinho é uma questão de gosto pessoal (até porque não entende nada do assunto - só de beber mesmo). Vive indecisa quanto ao que deve fazer. Mas não acha que isso seja um problema.

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Desde que eu e o Fê viemos para Roma, resolvemos transformar este blog em um espaço em que pudéssemos dividir as nossas experiências. Diariamente, vamos conhecendo a cidade, aprendendo a viver nela e também mostrando aqui para você. E assim, compartilhando o que a gente vê por aqui, queremos fazer da nossa nova casa, a sua também. Além das dicas e de tudo o que postamos aqui no blog, resolvemos também ir atrás de parceiros que podem ajudar a transformar a sua viagem em uma experiência mais tranquila. A partir de agora, o LÁ EM CASA TEM VINHO te ajuda também a organizar a sua viagem para Roma.

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